ALERTA: CRIANÇAS PREGUIÇOSAS
Na infância é muito comum algumas crianças serem taxadas de preguiçosas. São aquelas crianças que não gostam de livros, ao contrário, até fogem deles, de forma desinteressada e os pais têm de insistir muito para que elas consigam estudar e tirar notas boas no colégio.
Tal situação, razoavelmente comum na infância, pode ocasionar confusão e erros conceituais extremamente prejudiciais. O limite entre o normal e o patológico nesta faixa etária geralmente é tênue. Bons profissionais da área de psicopedagogia e neuropediatria devem ser consultados e até orientarem pais e professores da rede de ensino.
Uma questão é a criança ter uma preguiça específica e direcionada para um determinado foco ou tarefa. Um desânimo para uma ordem dos pais ou para fazer a lição de casa, por exemplo. Outra, completamente distinta, é ter uma dificuldade de aprendizagem por fatores neurológicos, psicológicos ou até genéticos. Os transtornos de aprendizagem atingem cerca de 3% a 7% das crianças brasileiras, podendo ser relacionados a déficits específicos como o de leitura, de audição, de ortografia e também problemas do desenvolvimento de linguagem.
Na área de psiquiatria infantil, temos os transtornos do déficit atencional e hiperatividade e a própria depressão infantil que podem cursar com sintomas similares, embora quantitativa e qualitativamente distintos, aos da preguiça.
Quando há um determinado transtorno mental, a tendência é que os sintomas se repitam nas mais diversas situações. O prejuízo costuma ser global, atingindo várias esferas da vida infantil. Dificuldades de relacionamento pessoal e familiar podem estar mais exacerbadas. A criança com dificuldades de aprendizagem, secundárias a um transtorno psíquico, costuma ficar muito tempo frustrada com o seu desempenho e pode sofrer demasiadamente e com baixa auto-estima.
Já na preguiça, os sintomas são focais e limitados. O tempo no qual a criança permanece frustrada tende a ser curto, sem maiores seqüelas emocionais. Há reatividade do humor de forma repentina. Uma vez que um determinado diagnóstico de déficit de aprendizagem seja realizado, cabe a todos, pais e professores, não salientarem as dificuldades e sim buscarem estimular as principais virtudes, potencialidades e qualidades dessa criança.
Desde a década de 80, na Universidade de Harvard, há o conhecido conceito de inteligência múltipla, com várias ramificações. Apenas em 1995 tal conceito chegou ao Brasil. O desenvolvimento de tais habilidades múltiplas podem ser estimulados. Têm crianças que são ótimas para a lógica matemática, outras para a verbal lingüística, outras para a música, outras para os relacionamentos interpessoais, outras para a capacidade visual-espacial e até para a espiritualista-existencialista. Alguns podem ter apenas um dos tipos de inteligência, outras crianças podem ter vários subtipos, simultaneamente.
Portanto, a idéia geral é simples. Temos que reforçar as qualidades e potencialidades de nossas crianças — independentemente dos seus déficits de aprendizagem — e não projetarmos sobre elas o grande peso de nossas expectativas e anseios, com pressões e cobranças excessivas, geradoras de estresse infantil e conseqüentes fracassos. As peculiaridades individuais positivas devem ser realçadas. A estigmatização desnecessária e inútil de tais baixinhos pode, no futuro, gerar transtornos mentais muito mais sérios e incapacitantes.
Os pais não devem ter vergonha de buscar auxílio e ajuda especializada em situações de dúvidas, incertezas, frustrações, sentimentos de culpa e angústia gerados por tais dificuldades de aprendizagem dos seus filhos. Os professores devem ser treinados para o diagnóstico inicial e o correto encaminhamento de tais crianças aos especialistas. Isso poderá salvar o futuro das mesmas. Por fim, disponho-me a responder perguntas ou a escrever, detalhadamente, sobre temas importantes da infância e da adolescência
